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Cinco grandes ideias sobre o futuro do trabalho no TED 2013
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Cinco grandes ideias sobre o futuro do trabalho no TED 2013

by Anderson Costa04/03/2013

Foto: TED 2013

Para quem não sabe, aconteceu na semana passada a edição 2013 do TED, conferência que reúne profissionais e pensadores do mundo inteiro para discutir ideias. E claro que o futuro do trabalho não poderia ficar de fora. O assunto foi presente de várias formas, como repensar carreiras, melhorar nossa saúde e nos preparar para o que vem por aí. Vamos às cinco ideias mais destacadas que eu tomei a liberdade de traduzir de um artigo do Linkedin enviado pelo leitor Diego Nunes, ao qual eu adiciono minhas observações em cada tópico.

É hora de aumentar a idade para a aposentadoria

TED2013. Long Beach, CA. February 25 - March 1, 2013. Photo: James Duncan Davidson

Para a economia melhorar, a idade de aposentadoria nacional (vendo do ponto de vista dos EUA) deve aumentar de forma constante, junto com a expectativa de vida, disse o economista Robert J. Gordon, em uma palestra na terça-feira.

Os americanos já estão trabalhando mais. O Centro de Pesquisa de Aposentadoria do Boston College relata que a idade média de aposentadoria para os homens aumentou para 62-64 nos últimos 20 anos. Para as mulheres, aumentou para 62. A ideia de Gordon seria criar uma escala de alinhamento, batendo-se a idade de aposentadoria assim como os americanos vivem mais.

Comparando com o Brasil, a escala de idade para aposentadoria é sempre uma polêmica. A última mudança conhecida na legislaçã o data de 1998, quando o governo mudou as regras da previdência passando a exigir uma idade mínima para a aposentadoria, que, no caso das mulheres, é de 55 anos e do homem, 60 anos. Antigamente exigia-se um tempo mínimo de contribuição, como 25 anos.

Quer mudar o mundo? Trabalhe em uma empresa privada!

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Você não tem que trabalhar em uma organização sem fins lucrativos para fazer o bem. Na verdade, você pode ter uma chance melhor de fazer a diferença tendo um emprego bem remunerado. Peter Singer, em sua palestra sexta-feira (uma das mais instigantes para mim) referiu-se ao trabalho de um aluno, o estudante de filosofia Will Crouch , que incentiva as pessoas a assumir postos de trabalho em finanças e bancos, porque eles pagam bem.

O pensamento é simples: Se você tem um alto salário, você pode doar mais dinheiro. Em vez de se tornar um trabalhador humanitário, por exemplo, alguém em finanças ou um bancário poderia ajudar a pagar os salários de cinco trabalhadores de ajuda humanitária, disse Singer.

É um ponto bem interessante e mostra como às vezes nós medimos de maneira equívoca o impacto de nossas atitudes sociais.

Sua cadeira de trabalho pode ser sua maior inimiga

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A  estrategista corporativa Merchant Nilofer subiu ao palco TED terça-feira e avisou o público: “O que você está fazendo neste exato momento está matando você.”  Sim, ela estava falando sobre sentar.

As pessoas se sentam cerca de 9,3 horas por dia, ela disse, o que é mais tempo do que eles passam dormindo. Mercante diz que o ato de sentar é “o fumo da nossa geração”, e observou que a inatividade pode levar a inúmeros problemas de saúde, a partir de ganho de peso ao câncer. Ela implorou a profissionais de escritório em todos os lugares para se levantar, tomar reuniões em pé e fazer todo o possível para ser mais ativo fisicamente nas horas passadas no escritório.

O Movebla fala constantemente de ergonomia e saúde no trabalho e já publicamos inclusive um infográfico sobre o problema de sentar demais. Nilofer fala sério quando esse problema pode tomar proporções gigantes. Já identificamos também que trabalhar em pé é uma tendência ou mesmo trabalhar enquanto se exercita.

Quando os robôs dominarem o mundo, teremos um salário garantido

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Enquanto andróides substituem os humanos em trabalhos, os parlamentares devem fazer mudanças drásticas nas políticas econômicas, disse Andrew McAfee, o cientista principal da pesquisa no Centro do MIT para Negócios Digitais. Sua ideia: uma renda mínima garantida. McAfee rapidamente apontou em sua palestra na quarta-feira que o conceito foi aprovado por figuras da direita americana como Richard Nixon, Friedrich Hayek e Milton Friedman.

Quando o ex-presidente dos EUA Nixon pressionou por uma renda mínima para os pobres, em 1969, fracassou devido à oposição de democratas. Seu plano chamado era dar 1.600 dólares por ano para uma família de quatro pessoas, juntamente com cupons para trocar por alimentos. Isso equivale a cerca de US $ 10.000 hoje ajustados com a inflação. Jimmy Carter, ex-presidente, também propôs uma garantia de renda, mas nunca chegou a uma votação no Congresso.

Alguns questionam nos EUA se é hora de reconsiderar um salário garantido. Em seu livro de 2007, The Failed Welfare Revolution: America’s Struggle Over Guaranteed Income Policy , o sociólogo Brian Steensland questionou por que essas políticas não estavam sendo discutidas em Washington hoje. “Muitos dos mesmos problemas da agenda pública nos anos 1960 e 1970, como baixos salários, reestruturação econômica e social inadequada de cobertura continuam a ser preocupações permanentes na América contemporânea”, escreveu ele.

Se você parar pra pensar, essa proposta tem muita semelhança com o Bolsa Família brasileiro. Ou seja, um papo que lá fora só volta a ser discutido agora aqui já está implementado, tendo em conta as aspirações socialistas (ou centro-esquerdistas) do governo atual e a péssima distribuição de renda no Brasil. Com um cenário de crise econômica fixo nos últimos anos pode ser que EUA e países da Europa considerem muito mais políticas assistencialistas como esta.

Quer inovar? Trabalhe constantemente (e estude Física)

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Quando o curador TED Chris Anderson perguntou ao CEO da Tesla Elon Musk como ele consegue ser criativo, ele tinha uma resposta curta: “Eu trabalho muito.” Anderson pediu mais detalhes. Ele observou que Musk tinha se tornado uma espécie de  Steve Jobs, um CEO capaz de conciliar negócios, tecnologia e design ao mesmo tempo.

Musk fez uma pausa e, então, deu o seu conselho para quem quer se destacar no mundo dos negócios: estudar Física. “Quando você quer fazer algo novo, você tem que aplicar a abordagem da física”, disse Musk. “Física é  descobrir como descobrir coisas novas que são contra-intuitivas, como a mecânica quântica.” Sua última dica: Esteja disposto a ouvir o feedback negativo, porque pode ser valioso e “quase ninguém” o faz.

Para quem não conhece a Tesla ela está em destaque na economia mundial graças a seus negócios em veículos automotivos elétricos. Não sei o que dizer exatamente das provocações de Musk sobre física, mas provocar a intuição em prol de novas descobertas é sempre produtivo.

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Anderson Costa
Anderson Costa
Redator e consultor em comunicação, 34 anos. Trabalha com um notebook e smartphone onde for, além de fones de ouvido extra-reforçados. É o idealizador do Movebla, dono, editor, o cara que escreve, o cara que faz tudo.