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Marissa Mayer elimina o home office no Yahoo! – será que ela tem razão?
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Marissa Mayer elimina o home office no Yahoo! – será que ela tem razão?

by Anderson Costa26/02/2013

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Ontem me peguei lendo esta notícia que reverberou em vários portais gringos de tecnologia e negócios. Marissa Mayer, a nova CEO do Yahoo! acaba de eliminar a prática do home office dentro da empresa a partir de junho. A medida vale para todos os funcionários do Yahoo! no mundo, inclusive no Brasil.

Em nota, o vice-presidente de pessoas e desenvolvimento, Jackie Reses, afirma que  “velocidade e qualidade são muitas vezes sacrificadas quando se trabalha de casa”. O efeito foi instantâneo: mães que trabalham no Yahoo! protestaram, empregados que acreditam no home office estão balançados a abandonarem a empresa, blogueiros do Huffington Post e do GigaOM estão condenando Mayer.

E olha que ela é ex-profissional do Google, uma empresa conhecida por investir em novos modelos de trabalho. Inclusive vinha numa sequência de movimentos muito populares dentro do Yahoo!, como dar novos smartphones pra todos.

Esta decisão é realmente polêmica. Mayer está apostando que aproximar os profissionais do Yahoo! pode reverter uma maré de decisões ruins tomadas nos últimos anos, além de reduzir os custos com a infraestrutura necessária para o teletrabalho. E aqui entre nós? Por mais contraditório com o Movebla que seja, eu acho que ela tem razão em alguns pontos desta decisão.

Eu acredito na prática do home office quando uma empresa não precisa resolver um problema gigante, astronômico, que necessita da atenção de todos 24 horas. O Yahoo! tem esse problema: precisa voltar a ser uma empresa de internet relevante para o mundo. Nos últimos anos eles perderam a liderança em diversos segmentos de serviços online. Até mesmo o Flickr, sua rede social para amantes de fotografia (que eu mesmo usava muito), não tem mais o mesmo movimento de antes e perderam significativamente a nova onda de compartilhamento de fotos que as redes sociais têm.

Quando existe um problema desse tamanho para resolver, é preciso atenção e foco imediatos. É preciso proximidade, olho no olho, dinamismo. Algo que só a presença física pode dar. O contato humano ainda é mais esclarecedor quando existe uma crise. O teletrabalho se calca na confiança, o que não existe no desempenho do Yahoo! hoje.

Dá pra gente discutir comprometimento em home office horas a fio por aqui. E todos vocês terão razão. Comprometimento é possível no trabalho remoto. É que eu penso que esta decisão de Mayer foi mais moral do que técnica. O home office pode causar um desprendimento dos problemas da empresa aos quais você precisa “abraçar”, focando apenas em tarefas a serem resolvidas. Isso é meio generalizador, mas é só pra demonstrar o meu ponto.

Mas é contraditório ao mesmo tempo. A decisão vai deixar os profissionais do Yahoo! mais próximos e colocar neles um reloginho na cabeça, do tipo “do or don’t, there is no try”. E aí é onde eu acho que a decisão pode ter errado. A pressão pelo sucesso do Yahoo sobe ao cubo com este cenário. Será que todos aguentarão?

Talvez eliminar a prática do home office completamente não seja bom, e Mayer perca profissionais ótimos por isso. Mas ela precisa olhar nos olhos dos seus empregados e e perceber o comprometimento de todos. O Yahoo! precisa correr atrás de um prejuízo que pode acabar com a empresa e o momento é de ter todos juntos em uma mesa e saber quem está junto com ela nessa. Meu medo é que com isso os profissionais do Yahoo! percam a confiança no pouco que ainda acreditam dos valores da empresa.

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Anderson Costa
Anderson Costa
Redator e consultor em comunicação, 34 anos. Trabalha com um notebook e smartphone onde for, além de fones de ouvido extra-reforçados. É o idealizador do Movebla, dono, editor, o cara que escreve, o cara que faz tudo.